sexta-feira, 10 de agosto de 2012
Eu, os deuses e minha bá (de Alma Welt)
Eu costumava falar muito com Deus
Mas sem deixar de falar com os outros deuses
Quando a Matilde censurou os sonhos meus
Por pouco estoque e excesso de fregueses...
"Guria, onde tens essa cachola
Pra tanto assim ofenderes o Eterno?
És uma pagã de se negar esmola
Ou de se expulsar em pleno inverno!"
Mas eu não aceitei tal reprimenda
Pois em mim não há malícia nem maldade,
E quem vive em graça não se emenda.
E se sem Ele sequer cai uma folha,
Também os deuses são parte da Verdade.
"Báh, Matilde! Dá-me um beijo e não me tolha!"
sexta-feira, 15 de junho de 2012
A cortesã- desenho de Guilherme de Faria, 75x100cm
A cortesã (de Alma Welt)
Há uma cortesã que mora em mim
Embora não seja ela a única,
O que me impede oferecer-me assim
E a nudez cobrir-me com a túnica.
Cercada estou eu de alcoviteiras...
Me desculpem Matilde e a Solange,
Não esperem que me venda pelas feiras,
Mas todo casamento me constrange.
É mais fácil pensar-me mais rampeira
Oferecendo-me de graça ou por tostões
Do que aprisionar esta pampeira...
E anel jamais porão, ou uma coleira,
Nesta Alma de poesia aos borbotões,
Eu, que de mim já sou a estancieira...
A cortesã (de Alma Welt)
Há uma cortesã que mora em mim
Embora não seja ela a única,
O que me impede oferecer-me assim
E a nudez cobrir-me com a túnica.
Cercada estou eu de alcoviteiras...
Me desculpem Matilde e a Solange,
Não esperem que me venda pelas feiras,
Mas todo casamento me constrange.
É mais fácil pensar-me mais rampeira
Oferecendo-me de graça ou por tostões
Do que aprisionar esta pampeira...
E anel jamais porão, ou uma coleira,
Nesta Alma de poesia aos borbotões,
Eu, que de mim já sou a estancieira...
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