sábado, 11 de julho de 2009

Os Sonetos da Matilde (de Alma Welt)


Matilde e Alma- desenho de Guilherme de Faria a pincel e nanquin sobre papel Ingres, de 1971, coleção do pintor.

Nota
A numeração corresponde à postagem na série Sonetos Pampianos da Alma, de onde foram pinçados, salvo os não numerados, que estão sendo descobertos recentemente por mim na Arca da Alma, e até então inéditos.
Lucia Welt

Exausta (de Alma Welt)

Às vezes, de mim mesma fico exausta
E sem forças nem mesmo pra deixar-me.
Entretanto, garanto, não é charme
De quem está acostumada à vida fausta.

Como se fosse o derradeiro cada dia,
Sorvo avidamente o meu entorno
E isso tem trazido algum transtorno
Para quem me cerca e me avalia,

Como a minha fidelíssima Matilde,
Que da simplicidade é o protótipo,
Tão sensata embora pouco humilde

Pois bem que me queria ver mudada,
Tranqüila e bem feliz no estereótipo
De uma prenda deste Sul, apaziguada...

(sem data)



Auto-retrato (de Alma Welt)

As minhas andanças na coxilha,
De meu pensamento são passeios
E semeiam minha alma como silha
Para frutificar por outros meios,

Poemas, sonetos e memórias
Que eu nem sequer sabia ter retido
De outras gerações e suas estórias,
Num fluxo permanente e incontido.

O corpo? Sim, também floresce...
E estes prados viram meu amor
E minha beleza enquanto cresce.

Mas a prenda tão cedo rebelada,
E, diz Matilde, perdida em despudor,
Não servirá pro homem e pra mais nada...

17/08/2006

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