
Matilde e Alma- desenho de Guilherme de Faria a pincel e nanquin sobre papel Ingres, de 1971, coleção do pintor.
Nota
A numeração corresponde à postagem na série Sonetos Pampianos da Alma, de onde foram pinçados, salvo os não numerados, que estão sendo descobertos recentemente por mim na Arca da Alma, e até então inéditos.
Lucia Welt
Exausta (de Alma Welt)
Às vezes, de mim mesma fico exausta
E sem forças nem mesmo pra deixar-me.
Entretanto, garanto, não é charme
De quem está acostumada à vida fausta.
Como se fosse o derradeiro cada dia,
Sorvo avidamente o meu entorno
E isso tem trazido algum transtorno
Para quem me cerca e me avalia,
Como a minha fidelíssima Matilde,
Que da simplicidade é o protótipo,
Tão sensata embora pouco humilde
Pois bem que me queria ver mudada,
Tranqüila e bem feliz no estereótipo
De uma prenda deste Sul, apaziguada...
(sem data)
Auto-retrato (de Alma Welt)
As minhas andanças na coxilha,
De meu pensamento são passeios
E semeiam minha alma como silha
Para frutificar por outros meios,
Poemas, sonetos e memórias
Que eu nem sequer sabia ter retido
De outras gerações e suas estórias,
Num fluxo permanente e incontido.
O corpo? Sim, também floresce...
E estes prados viram meu amor
E minha beleza enquanto cresce.
Mas a prenda tão cedo rebelada,
E, diz Matilde, perdida em despudor,
Não servirá pro homem e pra mais nada...
17/08/2006
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